Carta do Haiti
Amelia
Duarte de La Rosa — Enviada especial
CONSERVADA em sua história através
dos séculos,Jacmel, capital do sudeste haitiano,
fundada em 1698, é uma cidade costeira localizada a
90 km do bulício e agitação de Porto Príncipe. Ainda
sobrevivem na urbe, acima dos obstáculos, casas com
um projeto semelhante a nossa arquitetura colonial.
Diversos estilos, antigos, modernos e rústicos
complementam a atmosfera tranquila e fresca de
Jacmel. Há muitas coincidências e influências: desde
o verão eterno e inclemente até a esplêndida
geografia montanhosa e marítima.
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Na
foto, Rhéza Bouchard escrevendo sua
mensagem de agradecimento a Fidel. |
Mas chegar a Jacmel por rodovia é
esgotador. Ninguém fala no caminho, é como se o
silêncio pudesse perceber o risco de uma rota que,
durante quase duas horas, se encurva em mais de 300
curvas entre as montanhas. No entanto, a razão da
chegada é motivada por um encontro particular. Um
Clube de Amigos de Cuba, integrado por umas 30
pessoas da região, mostra sua solidariedade com os
cooperadores que trabalham e celebram os 13 anos da
Brigada Médica no Haiti.
Criado em 2005, com a primeira
graduação de estudantes haitianos em Cuba, o clube
teve seus antecedentes num comitê de apoio com os
cubanos que viviam na cidade e em Cayes Jacmel, onde
está localizado o Hospital de Referência Comunitária.
Seus membros manifestam carinho e apoio a nosso povo,
falam espanhol, conhecem nossa história e,
inclusive, nas suas intervenções, denunciam o
bloqueio econômico e a injusta prisão dos Cinco.
O diálogo flui, é gratificante saber
que nos querem e nos reconhecem. Rheza Boucard,
atual presidenta do clube, assevera que sempre
apoiará os cubanos. "Estaremos com os cubanos quando
precisam de nós. Apesar de que não falamos o mesmo
idioma, os sentimos como irmãos e sabemos que é
difícil estar longe da família num país estrangeiro.
Agora, pretendemos erigir um centro para
compartilhar mais e atendê-los melhor".
Ademais, Rheza confessa que tem
muito que agradecer e não é apenas porque está
casada com o cubano Armando González, licenciado em
enfermagem. "Durante todo este tempo conheci pessoas
magníficas, doutores, enfermeiros e colaboradores
que nunca esquecerei. Cada vez que olho as fotos me
inundo de lembranças. Quisera voltar a vê-los
todos", comenta emocionada esta mulher de 61 anos,
também enfermeira e que, como muitos haitianos,
residiu um tempo em Brooklin, EUA.
Enquanto relata alguns dos bons
momentos, algo acontece em Rheza que sua voz começa
a entrecortar-se, suas palavras se misturam com o
francês, o crioulo e o espanhol. Tento ajudá-la a
terminar de falar. Dou-lhe uma folha de papel e peço-lhe
que escreva o que quer dizer: "Não sei que palavras
usar para agradecer ao comandante-em-chefe Fidel
Castro sua coragem, humanismo, bondade e grandeza:
Ninguém é como ele! Obrigada do fundo do meu
coração"