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I N T E R N A C I O N A I S

Havana. 22 de Agosto, de 2012

França: uma nova potência
rumo à recessão

Luisa Corradini

A economia francesa, vítima colateral da grave crise da Eurozona, entrará numa recessão moderada no terceiro trimestre deste ano, segundo uma primeira previsão do Banco Central. A atual situação de decrescimento ameaça com perturbar os esforços do governo socialista de François Hollande, para fechar o orçamento, sem agravar o déficit nem aumentar a política de rigor.

O Produto Interno Bruto (PIB) recuará 0,1% no período junho-setembro, depois de outro processo similar no segundo trimestre. Considera-se que um país entra em recessão — como já entraram neste ano a Itália e a Grã-Bretanha — quando acumula dois trimestres consecutivos de crescimento negativo.

Pelo impacto mundial da crise de 2007, a França sofreu uma recessão de quatro trimestres, que abrangeu a segunda metade de 2008 e o primeiro semestre de 2009. A partir de então, teve 11 períodos seguidos de crescimento, até que voltou a recuar, no segundo trimestre de 2012.

O ministro de Economia francês, Pierre Moscovici, relativizou o anúncio ao expressar que “o combate pelo crescimento não está perdido. O que interessa é que a França tenha uma economia saudável e crível no contexto europeu”, afirmou ao jornal Nice Matin.

O anúncio do Banco da França antecipou em seis dias as estimativas para o terceiro trimestre do Instituto Estatístico (Insee). Mas não é possível que a previsão do Insee possa ser simplesmente diferente. O Banco da França vem antecipando, desde inícios de julho, uma queda da atividade, enquanto o organismo estatístico prevê, por ora, um cenário diferente.

Depois de fechar o primeiro semestre com crescimento nulo, espera um reponte de 0,1% do PIB para o terceiro trimestre e de 0,2% o último período do ano, concluindo o 2012 com um crescimento de 0,4%, depois de fechar 2011 com um crescimento de 1,7%, cifra satisfatória no contexto depressivo da Eurozona.

Esse cenário, calculado em junho, poderia ter sido afetado pela desaceleração da economia mundial e da europeia no particular. No início de julho, um mês e meio depois de chegar ao poder, o governo reviu suas próprias previsões e calculou um crescimento de 0,3%, em 2012 e de 1,2%, em 2013.

O indicador de atividade do Banco da França demonstra que a economia chegou a seu nível mais baixo, desde inícios de 2010. Essa imagem pessimista coincide com a visão dos responsáveis pelas empresas industriais, que percebem uma contração e pensam que haverá uma desaceleração nos próximos meses.

Segundo o Banco da França, os setores mais afetados pela recessão são as indústrias do automóvel e a têxtil, que hoje trabalham a 76,9% de sua capacidade de produção.

A atual estagnação da economia francesa perturba as intenções do governo, que desejava reduzir o déficit público para 4,5% do PIB, em 2012, e para 3%, em 2013, para cumprir seus compromissos europeus.

Para conseguir seus objetivos, o Parlamento retificou, em julho, o orçamento de 2012 com um programa que prevê congelar os gastos por 1.5 bilhão de euros e 7.2 bilhões de euros de aumentos e impostos, o que exigirá outro corte de gastos de 33 bilhões de euros, em 2013.

A desaceleração econômica ameaça com agravar a dramática situação do desemprego, que afeta 4,4 milhões de pessoas (9,6%).

Ciente dessa situação, o ministro do Trabalho, Michel Sapin, calcula que — no contexto atual — “o desemprego poderá chegar a 10%, no fim do ano”.

A França enfrenta essa delicada situação num âmbito regional deprimido pela crise. Com um PIB de -0,7%, no período abril-junho, a Itália acumulou quatro trimestres consecutivos de recessão. A economia espanhola, que atravessa uma situação também dramática, registrou um decrescimento de 0,4%, no segundo período do ano.

O Banco da Inglaterra também prevê que as perspectivas de crescimento na Grã-Bretanha sejam “fracas”. Inclusive, a Alemanha começa a viver a crise: o índice IFO, que mede a atividade, registra alarmantes retrocessos da produção industrial, das exportações e do consumo interno, três sinais que indicam uma desaceleração da economia. (Extraído do La Nación)

 

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