França: uma nova potência
rumo à recessão
Luisa Corradini
A
economia francesa, vítima colateral da grave crise
da Eurozona, entrará numa recessão moderada no
terceiro trimestre deste ano, segundo uma primeira
previsão do Banco Central. A atual situação de
decrescimento ameaça com perturbar os esforços do
governo socialista de François Hollande, para fechar
o orçamento, sem agravar o déficit nem aumentar a
política de rigor.
O
Produto Interno Bruto (PIB) recuará 0,1% no período
junho-setembro, depois de outro processo similar no
segundo trimestre. Considera-se que um país entra em
recessão — como já entraram neste ano a Itália e a
Grã-Bretanha — quando acumula dois trimestres
consecutivos de crescimento negativo.
Pelo
impacto mundial da crise de 2007, a França sofreu
uma recessão de quatro trimestres, que abrangeu a
segunda metade de 2008 e o primeiro semestre de
2009. A partir de então, teve 11 períodos seguidos
de crescimento, até que voltou a recuar, no segundo
trimestre de 2012.
O
ministro de Economia francês, Pierre Moscovici,
relativizou o anúncio ao expressar que “o combate
pelo crescimento não está perdido. O que interessa é
que a França tenha uma economia saudável e crível no
contexto europeu”, afirmou ao jornal Nice Matin.
O
anúncio do Banco da França antecipou em seis dias as
estimativas para o terceiro trimestre do Instituto
Estatístico (Insee). Mas não é possível que a
previsão do Insee possa ser simplesmente diferente.
O Banco da França vem antecipando, desde inícios de
julho, uma queda da atividade, enquanto o organismo
estatístico prevê, por ora, um cenário diferente.
Depois de fechar o primeiro semestre com crescimento
nulo, espera um reponte de 0,1% do PIB para o
terceiro trimestre e de 0,2% o último período do
ano, concluindo o 2012 com um crescimento de 0,4%,
depois de fechar 2011 com um crescimento de 1,7%,
cifra satisfatória no contexto depressivo da
Eurozona.
Esse
cenário, calculado em junho, poderia ter sido
afetado pela desaceleração da economia mundial e da
europeia no particular. No início de julho, um mês e
meio depois de chegar ao poder, o governo reviu suas
próprias previsões e calculou um crescimento de
0,3%, em 2012 e de 1,2%, em 2013.
O
indicador de atividade do Banco da França demonstra
que a economia chegou a seu nível mais baixo, desde
inícios de 2010. Essa imagem pessimista coincide com
a visão dos responsáveis pelas empresas industriais,
que percebem uma contração e pensam que haverá uma
desaceleração nos próximos meses.
Segundo o Banco da França, os setores mais afetados
pela recessão são as indústrias do automóvel e a
têxtil, que hoje trabalham a 76,9% de sua capacidade
de produção.
A
atual estagnação da economia francesa perturba as
intenções do governo, que desejava reduzir o déficit
público para 4,5% do PIB, em 2012, e para 3%, em
2013, para cumprir seus compromissos europeus.
Para
conseguir seus objetivos, o Parlamento retificou, em
julho, o orçamento de 2012 com um programa que prevê
congelar os gastos por 1.5 bilhão de euros e 7.2
bilhões de euros de aumentos e impostos, o que
exigirá outro corte de gastos de 33 bilhões de
euros, em 2013.
A
desaceleração econômica ameaça com agravar a
dramática situação do desemprego, que afeta 4,4
milhões de pessoas (9,6%).
Ciente dessa situação, o ministro do Trabalho,
Michel Sapin, calcula que — no contexto atual — “o
desemprego poderá chegar a 10%, no fim do ano”.
A
França enfrenta essa delicada situação num âmbito
regional deprimido pela crise. Com um PIB de -0,7%,
no período abril-junho, a Itália acumulou quatro
trimestres consecutivos de recessão. A economia
espanhola, que atravessa uma situação também
dramática, registrou um decrescimento de 0,4%, no
segundo período do ano.
O
Banco da Inglaterra também prevê que as perspectivas
de crescimento na Grã-Bretanha sejam “fracas”.
Inclusive, a Alemanha começa a viver a crise: o
índice IFO, que mede a atividade, registra
alarmantes retrocessos da produção industrial, das
exportações e do consumo interno, três sinais que
indicam uma desaceleração da economia. (Extraído
do
La
Nación)