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E S P O R T E S

Havana. 26 de Maio, de 2011

40 ANOS DEPOIS
Dihigo continua sendo "O imortal"
● "Ele foi o maior jogador ‘all-around’ que eu conheci. Eu digo que foi o melhor jogador de beisebol de todos os tempos, branco ou negro. Ele podia fazer tudo. Se ele não foi o maior, eu não sei quem poderia ter sido. Fiquem com Babe Ruth, Ty Cobb ou Joe DiMaggio. Deem-me Dihígo e eu os derrotarei quase sempre". Buck Leonard, membro do Hall da Fama de Cooperstown

Sigfredo Barros

QUASE todos os que o vimos jogar concordam em que foi o maior jogador ‘all-around’ branco ou negro que já existiu. Podia jogar todas as posições, exceto como receptor e alguns asseguram, inclusive, que essa também. Foi um astro em Cuba, México — onde foi alcunhado de O Mestre —, Venezuela, República Dominicana e os Estados Unidos.

Martín Magdaleno Dihígo Llanes (25 de maio de 1906 – 20 de maio de 1971) foi uma rara combinação de velocidade, força e graça incomparável. Impossível descrevê-lo com só uma palavra ou uma frase. Faz falta os depoimentos daqueles que jogaram com ele para ter uma ideia de sua grandeza, por fortuna, compilados por quem é considerado o melhor historiador das Ligas Negras, John B. Holway.

Hilton Smith, arremessador, Kansas City Monarch: "Dihígo podia fazer tudo: arremessador, bom rebatedor, bom jardineiro. Ele era um sujeito alto, parecido com Joe DiMaggio. Esse homem podia jogar no campo externo e, oh!, podia arremessar como ninguém. E lançar, lançava de tudo pelo lado e por cima do braço. Boa slider e uma boa bola rápida, muito boa. Se tivesse jogado nas Grandes Ligas poderia ter ganho o título de mais vitórias. E rebater 300 também. Era uma pessoa afável, muito simpática".

Ted Page, jardineiro, Homestead Grays: "Eu era bom amigo de Roberto Clemente, mas Dihígo tinha um braço como um canhão, braço mais forte que Clemente".

George Wehby, editor do Havana Post: "Dihigo era um fora-de-série? Muito fácil: Muhammed Alí foi um boxeador; Jack Dempsey um demolidor; Joe Louis era as duas coisas. Martín Dihígo foi o Joe Louis do beisebol".

Armado com semelhantes ferramentas, Dihígo se converteu num jogador extraordinário, capaz de rebater de por vida 304 hits em mais de 5 mil turnos e de ganhar mais de 250 jogos. Estes números são aproximados, pois dezenas das tabelas da época se perderam lamentavelmente.

Muitas das façanhas tiveram como palco o México. Em 1938, foi campeão de rebatidas, com 387 de média, e líder dos arremessadores com 18 vitórias e duas derrotas. Nesse mesmo ano, arremessando com o time Águila, registrou o primeiro 0 hit-0 corridas na história do beisebol mexicano. Arremessou outros dois jogos similares na Venezuela e Porto Rico.

Em Cuba, em nove campeonatos teve uma média de 300 e de 400 em mais dois, com mais de 100 vitórias em doze temporadas. As Black Leagues estadunidenses e o beisebol mexicano viram como ele levou o crédito do triunfo mais de 150 vezes devidamente registrados de maneira oficial,e talvez mais doze triunfos perdidos na história.

O Dihígo beisebolista foi excepcional. O Dihígo homem foi igual, patriota como o pai —sargento do Exército Libertador —, consequente com seus ideias. Sempre disse que não era político... mas quando ocorreu o golpe de Estado de 10 de março de 1952 colheu seus pertences e não retornou até 1959.

Foi a última etapa de sua vida, entregando suas energias à Revolução, trabalhando como treinador, escrevendo uma coluna, Do Pão de Matanzas, no jornal Hoy. A morte o surpreendeu cinco dias antes de completar 65 anos, vítima duma trombose cerebral.

O melhor epitáfio que se poderia escrever de sua vida foi dito por Satchel Paige, o maior arremessador das Black Leagues. Paige foi o primeiro jogador não branco que ingressou no Hall da Fama de Cooperstown, em 1971, seis anos antes que O Imortal. Quando lhe perguntaram como se sentia respondeu: "Não estou feliz. Eu não sou o número um. Essa honra corresponde a Dihígo".
 

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