SANTIAGO DE CUBA.— O presidente Raúl
Castro recebeu o papa Bento XVI na sua chegada a
esta cidade, lugar por onde o Sumo Pontífice iniciou
a visita pastoral a nosso país, respondendo a um
convite do governo cubano e da Conferência de Bispos
Católicos de Cuba, e por ocasião do 400o
aniversário do achado da imagem da Virgem da
Caridade do Cobre nestas terras.
Ao pé da escada do avião em que
viajou do México, Sua Santidade, também Soberano do
Estado da Cidade do Vaticano, e o presidente dos
Conselhos de Estado e de Ministros de Cuba, trocaram
cumprimentos. No instante, quatro crianças lhe deram
as boas-vindas e lhe entregaram um buquê de flores
brancas e amarelas, cores predominantes na bandeira
do Vaticano.
Na cerimônia oficial de boas-vindas,
no aeroporto internacional Antonio Maceo, a Guarda
de Honra integrada por uma unidade de cerimônias das
Forças Armadas Revolucionárias, rendeu ao Sumo
Pontífice as honras correspondentes a sua condição
de chefe de Estado, e simultaneamente com os hinos
nacionais do Vaticano e de Cuba, foram disparadas 21
salvas de artilharia.
Ao transmitir a Sua Santidade as
mais calorosas boas-vindas em nome da nação, Raúl
Castro assinalou que Cuba o recebe com afeto e
respeito, e se sente honrada com sua presença.
"Encontrará aqui um povo solidário e instruído, que
se propôs atingir toda a justiça e fez grandes
sacrifícios", expressou.
Ao agradecer o acolhimento, o papa
cumprimentou com todo o afeto de seu coração aos
fiéis da Igreja Católica em Cuba, aos queridos
habitantes desta Ilha e a todos os cubanos, "lá onde
estiverem", disse. "Sempre estão presentes em meu
coração e em minha oração, e mais ainda nos dias em
que se aproximava o momento tão desejado de visitá-los".
Sua Santidade transmitiu seu prazer
por aderir à alegria existente, por ocasião da
comemoração do 400o aniversário do achado
da imagem da Virgem da Caridade do Cobre. "Sua
entranhável figura sempre esteve muito presente,
tanto na vida pessoal dos cubanos quanto nos grandes
acontecimentos do país, de maneira muito particular
durante sua independência, sendo venerada por todos
como verdadeira mãe do povo cubano".
Os difíceis momentos econômicos que
vivem hoje muitas partes do mundo foram também
referidos em sua intervenção, que concluiu
destacando os esforços de Cuba por renovar e ampliar
seus horizontes, e com a rogação de que seja
concedido a todos um futuro cheio de esperança,
solidariedade e concórdia.
Depois de receber junto a Raúl o
cumprimento das autoridades eclesiásticas e do
Estado e Governo cubanos, Bento XVI abordou o
veículo papal para receber, ao longo dum trajeto de
7,6 quilômetros, até a sede do Arcebispado de
Santiago de Cuba, o caloroso cumprimento do povo que
desde bem cedo lotou as ruas.
Apenas três horas depois de sua
chegada a esta hospitaleira cidade, onde foi
recebido pelo presidente Raúl Castro, e da acolhida
em massa que lhe tributaram milhares de pessoas, em
tão calorosa tarde, Sua Santidade chegou à praça
onde foi aclamado entusiasticamente por mais de 250
mil pessoas.
Desde o altar criado para a ocasião,
que momentos antes tinha recebido a imagem da Virgem
da Caridade do Cobre, disse o Sumo Pontífice: "Esta
Santa Missa, que tenho a alegria de presidir, pela
primeira vez em minha visita a este país, insere-se
no contexto do Ano Jubilar Mariano, convocado para
honrar e venerar a Virgem da Caridade do Cobre,
padroeira de Cuba, no 400º aniversário do achado e
presença de sua venerada imagem nestas terras
benditas".
O final da eucaristia constituiu um
momento singularmente empolgante, ao entregar à
imagem da Virgem da Caridade a Rosa de Ouro, criada
pelo papa Leão IX, em 1049, para distinguir
personalidades católicas, instituições e símbolos
desta religião, e a seguir o convite para subir ao
altar o presidente Raúl Castro, que agradeceu tão
simbólico gesto.
A inícios da missa, o arcebispo de
Santiago de Cuba, monsenhor Dionisio García Ibáñez,
transmitiu as palavras de acolhida a Sua Santidade,
salientando o esforço realizado por técnicos,
operários e artistas, autoridades, arquidioceses,
igrejas, e todo o povo, que trabalharam
incansavelmente para recebê-lo com alegria, nesta
aconchegante cidade.
"Somos um povo mestiço, de culturas
e origens diversas, que se misturou racial, social e
culturalmente nesta ilha bonita, aconchegante,
abençoada por Deus e difícil de esquecer, de tal
maneira que hoje, estejamos onde estivermos, levamos
com orgulho o nome de ‘cubano’, e receamos de toda
ingerência estrangeira em nossos assuntos",
proclamou García Ibáñez, também presidente da
Conferência Episcopal de Bispos de Cuba.