RETIFICAR é de sábios. A defesa dos
princípios éticos da Revolução nos ensinou a isso.
O Departamento do Tesouro dos
Estados Unidos apresentou, em dias passados, um
relatório ao Congreso sobre os fundos congelados de
quatro países (Irã, Sudão, Síria e Cuba) que esse
Departamento incluiu, arbitrariamente, na lista de
Estados patrocinadores do terrorismo internacional e
de organizações e pessoas sancionadas pelo governo
dos EUA. No caso de Cuba, menciona o valor acumulado
dos fundos congelados no fechamento do ano 2010
(US$ 248,1 milhões) e de 2011 (US$ 245 milhões).
O jornal Granma esclareceu,
semana passada, um dado incorreto, ao somar
mecanicamente as duas cifras, e nesse sentido vale a
pena esclarecer que não são US$ 493 milhões os
fundos congelados de Cuba nos EUA, em virtude do
bloqueio econômico, comercial e financeiro, mas sim
US$ 245 milhões, ao terminar o ano 2011, como se
mencionou acima.
O que é verdade é que desse
montante, o dinheiro que pertencia ao governo cubano
já não existe mais no "congelador". Foi roubado.
Também houve apropriações, há vários anos, que
afetam o dinheiro e os bens pertencentes, tanto a
cidadãos cubanos residentes em nosso país ou em
outros, como a cidadãos nacionais de outros Estados,
bem como a empresas cubanas e estrangeiras, que por
causa das leis e regulamentações do bloqueio, têm
sido vítimas desta guerra econômica contra nossa
Ilha.
Tudo começou em 8 de julho de 1963,
quando o Departamento do Tesouro emitiu as chamadas
regulamentações para o controle dos ativos cubanos ,
isto é, as regulamentações do bloqueio, congelando
todos os fundos cubanos ativos nos EUA. Então, o que
continham ou contêm atualmente esses ativos
congelados? De tudo, desde propriedades e contas
bancárias, pertencentes ao Estado, a entidades e
cidadãos cubanos, até transferências realizadas a
Cuba por entidades e pessoas estrangeiras e,
inclusive, prêmios em moeda obtidos por cidadãos
cubanos em concursos ou eventos esportivos
internacionais e heranças.
Embora a imobilização desses fundos
seja ilegal, a partir de meados da década de 1990
estes começaram a sofrer uma nova forma de ataque: o
roubo dos bens do Estado e de empresas cubanas, por
decisão unilateral do governo dos Estados Unidos, ou
como resultado de decisões judiciais contra Cuba, em
tribunais da Flórida e da aprovação de leis
anticubanas no Congresso desse país. Entre 1996 e
2006, nosso Estado foi alvo de quatro roubos desses
fundos, avaliados em US$ 170 milhões.
-2 de outubro de 1996: O presidente
William Clinton ordenou ao secretário do Tesouro
tomar US$ 1,2 milhão dos fundos cubanos congelados,
para serem atribuídos aos familiares dos pilotos da
organização terrorista Irmãos para o Resgate, aviões
derribados por violarem reiteradamente o espaço
aéreo cubano, em 24 de fevereiro de 1996.
-12 de fevereiro de 2001: cumprindo
uma ordem do presidente Clinton, em 19 de janeiro de
2001, o diretor do Gabinete de Controle dos Ativos
Estrangeiros (OFAC), do Departamento do Tesouro, deu
instruções ao Chase Manhattan Bank de transferir US$
96.700 de duas contas congeladas, pertencentes à
EmtelCuba, para indenizar os familiares dos pilotos
da organização Irmãos para o Resgate.
Este roubo foi facilitado pelo
senador Connie Mack, na época, que agindo sob ordens
da máfia anticubana, no sul da Flórida, conseguiu
que fosse aprovada no Capitólio, a Lei de Proteção
às Vítimas do Tráfico e a Violência, contendo um
apartado que permite executar decisões judiciais
espúrias contra os fundos congelados do Estado
cubano, e continuar estimulando este aberrante
ataque contra Cuba.
-29 de abril de 2005: O presidente
George Bush dispôs que o Departamento do Tesouro
entregasse US$ 198 mil, dos fundos cubanos
congelados, à cidadã de origem cubana, residente em
Miami, Ana Margarita Martínez, que em 2001 obteve
uma decisão a seu favor de uma Corte de Miami, por
insólitas denúncias de tortura e agressão sexual,
supostamente feitas por um agente cubano, infiltrado
num grupo terrorista, que nessa época era casado com
ela.
Esta história, como as duas
anteriores, é conhecida. O jornal Granma
publicou, em 15 de janeiro de 2007, há pouco mais de
cinco anos, um artigo lembrando que em 2002 e 2003,
o governo de Bush já tinha facilitado a Ana
Margarita apropriar-se de outros bens cubanos, ao
ser autorizada pelo Departamento do Tesouro a
licença que lhe permitiu leiloar três aviões cubanos
seqüestrados, previamente incautados por ordem
judicial: um AN-2, em 11 de novembro de 2002; um
DC-3, em 19 de março de 2003, e 12 dias depois, um
AN-24. Com certeza, o governo dos EUA permitiu esse
outro roubo.
-27 de novembro de 2006: Cumprindo
uma ordem dum juiz federal de Nova York, o banco JP
Morgan Chase transferiu US$ 72,1 milhões às famílias
Anderson MacCarthy e Ray Weininger, para satisfazer
as decisões contra a República de Cuba, derivadas de
demandas espúrias que estas famílias apresentaram,
pelas legítimas medidas de defesa do governo cubano,
contra as ações agressivas de seus familiares,
Thomas Willard Ray e Howard F. Anderson, agentes ao
serviço do governo dos EUA, no início da Revolução.
Quem são Willard e Anderson? Willard
foi um piloto estadunidense e agente da CIA.
Disseram que foi executado sumariamente, em 19 de
abril de 1961, mas a verdade é que morreu num
enfrentamento, quando seu B-26 foi derribado durante
a invasão mercenária pela Baía dos Porcos. Durante
18 anos, seu cadáver foi conservado no Instituto de
Medicina Legal de Cuba, porque Washington ocultou
sua identidade e se negou a aceitar sua cidadania e
responsabilidade na agressão, bem como de outro
grupo de pilotos norte-americanos que apoiou, por
ordens da CIA, a brigada mercenária 2506.
Anderson: Foi preso semanas antes da
invasão, quando desenvolvia atividades subversivas a
serviço do governo dos EUA. Pertencente a um grupo
armado de ex-militares da tirania de Fulgencio
Batista, ocuparam-lhe, no momento da detenção, oito
toneladas de armamentos para realizar ações
terroristas e sabotagens. Era, além disso, o elo de
ligação da CIA com as organizações
contrarrevolucionárias dentro de Cuba. Foi julgado
em abril de 1961 e condenado à morte.
Como resultado desses roubos, os
fundos congelados do Estado e de entidades cubanas
em bancos dos Estados Unidos estão praticamente
extinguidos. A maioria dos ativos que continuam
congelados pertence a cidadãos cubanos e a pessoas e
entidades estrangeiras.
A política hostil do governo dos
Estados Unidos contra Cuba, que inclui o ferrenho
bloqueio de há mais de 50 anos, a arbitrária e
infundada designação de Cuba como Estado
patrocinador do terrorismo internacional e a
manipulação dessa falácia para promover demandas
contra nosso país, para obter indenização a custa
dos fundos congelados, são algumas das patranhas da
primeira economia do mundo contra uma nação pequena
como Cuba. Também é a cumplicidade dos poderes
executivo, judicial e legislativo dos Estados Unidos
amparando a expropriação inescrupulosa de bens
cubanos. Eis a verdade dos fundos congelados, ou
diga-se melhor, roubados.