Desvelos no
arquipélago
Jardines de la Reina
• Um cientista da província
Ciego de Ávila fala das pesquisas empreendidas no
arquipélago Jardines de la Reina, o mais conservado
dentre os que rodeiam Cuba
Ortelio
González Martínez
CIEGO DE ÁVILA.— Quando o Doutor em
Ciências Biológicas, Fabián Pina Amargós chegou pela
primeira vez ao arquipélago Jardines de la Reina,
não imaginou que, passados mais de 15 anos, este
lugar faria parte de seu hábitat cotidiano.
Nessa paragem do sul de Cuba teve
que se proteger de tempestades, cozinhou com lenha,
mergulhou rodeado de tubarões e aprendeu da
experiência e dos conhecimentos dos pescadores,
esses homens humildes que transmitem ensinamentos em
cada encontro.
Junto a alguns pesquisadores
estrangeiros e de várias instituições cubanas, está
debruçado no estudo mais pormenorizado que jamais se
tenha realizado nesse ecossistema, formado por mais
de 600 ilhotas e rochedos, ao longo de 135
quilômetros, desde Cayo Bretón, na província de
Ciego de Ávila, até Cabeza del Este, na província de
Camagüey.
A ideia de acometer estes trabalhos
surgiu em meados da década de noventa do século
passado, pois esta era uma das áreas menos
conhecidas do arquipélago cubano. No ano 1996, foi
declarada Zona Sob Regime Especial de Uso e Proteção
(ZBREUP: reserva marinha ou de pesca) o que oferecia
a possibilidade de avaliar o efeito da referida
medida nas populações e ecossistemas, especialmente
nos peixes dos recifes coralinos.
"O estudo, afirma Fabián, chama-se
‘Efetividade da reserva marinha de Jardines de la
Reina na conservação da Ictiofauna’. Esse
arquipélago é o mais conservado dentre os que
rodeiam a Ilha Grande, devido ao isolamento
geográfico (grande distância dos assentamentos ou
populações), histórica baixa pressão pesqueira, se
for comparado com outros lugares de Cuba e do mundo,
e a proteção recebida desde o ano 1996 como ZBREUP,
e desde 2010 como Parque Nacional.
"Durante as pesquisas, aprendemos
que os hábitats coralinos são relativamente
similares ao longo desse arquipélago, não
constituindo um fator regulador importante da
abundância ou tamanho dos peixes.
"A criação da reserva marinha teve
um impacto significativo na diminuição do efeito das
capturas sobre as populações de peixes dentro da
área protegida.
"Demo-nos conta que a mobilidade
detectada flutua em cada espécie, e as diferenças em
vários indicadores populacionais e de conduta nas de
alto valor econômico, são devidas ao efeito protetor
da reserva marinha de Jardines de la Reina.
"Agora, continuamos monitorando o
ecossistema, as comunidades, populações e atividades
de Jardines de la Reina, determinamos as causas da
mortalidade do mangue e fizemos um inventário das
praias e da biodiversidade do ecossistema no golfo
de Ana María.
"Os estudos concluirão em 2014, mas
a pesquisa científica continuará porque é um
processo contínuo. Atualmente, desenvolvemos um
projeto denominado ‘Aplicação de um enfoque regional
para o manuseamento das áreas protegidas marinhas
nos arquipélagos do sul de Cuba’, financiado por
nosso país e o Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF),
implementado pelo PNUD e liderado pelo Centro
Nacional de Áreas Protegidas. Somos obrigados a ter
estes desvelos cotidianos se queremos preservar a
vida em cada recanto da terra, por pequeno que for".